S.O.S para os sentidos

Beber e comer são atos que requerem um contato sincronizado com os sentidos, quero dizer, principalmente gustativo e olfativo, pois ambos se conectam no mesmo ponto interpretativo cerebral.  Para realizarmos este simples ato, precisamos ter todos os sentidos em atividade, pois a expressão  “comer com os olhos” se trata de uma metonímia que  representa perfeitamente  o requisito básico de ATRAIR A ATENÇÃO , ESTA É A PRIMEIRA  CONDIÇÃO! É através do contato visual que nos seduz inicialmente e depois os aromas e sabores, então são percebidos.  Olha aí, o gostinho de quero mais!

No que diz respeito ao vinho analisamos todos os aspectos visuais desde a embalagem, rótulo, rolha, e depois o líquido quanto sua integridade, o que nos permite identificar qualidades ou defeitos, é assim que acontece com o olfato quando entra em ação, capta os aromas do vinho o qual exala, para enfim ser degustado e analisado sob o aspecto gustativo de forma assegurar o prazer de sentir o gosto, facilitando também na ingestão dos alimentos, este que por sua vez deverá suprir as necessidades do organismo que necessita de energia  para darmos  continuidade a rotina.

Tudo isto pra dizer que independente da correria do cotidiano, o ato mecânico, pode ser substituído por prazerosos momentos para se alimentar como se tivesse degustando, ou seja: Comer e beber prestando atenção!

Penso então que as recentes confrarias e grupos de gourmands, representam  verdadeiros grupos que desafiam seus estilos de vida pós-modernos, pois como desbravadores de aromas e sabores buscam integrar os interesses profissionais aos pessoais e o principal, o de  estarem em conjunção consigo mesmo através da saborosa  aventura de cozinhar e apreciar  um  vinho , que além disto   partilham de novas companhias e estabelecem novos vínculos, os quais  estão ligados ao prazer do SENTIR .

Através do vinho buscamos aquilo que muitas vezes está aprisionado, buscamos o alivio da rotina e as descobertas que irão além dos aromas primários, vamos então  além dos conceitos terroiristas de que a terra,  o mar, o sol ou a chuva, o  frio e o calor fazem parte de todo um conceito técnico, pois todos  estes elementos compõe um cenário em nossa vida, daí a harmonização a cada tipo de comida, vinho e momento, pois cada um tem seu propósito e estão ligados pelas suas alquimias, seja por similiaridades ou por contrastes e assim seguimos sob as tentativas de compor os cenários ideais.

O vinho em sua essência, é a bebida das nobres almas que clamam por companhia, seja de um livro, ou de um amigo, ou de nós mesmos em nosso momento de meditação, simples assim ! Aproveitem e descubram-se, tim-tim !

Glossário

Confraria – grupo de pessoas que se reúnem para provar vinhos de diferentes regiões e que dividem conhecimentos e participam de palestras ministradas por convidados que conheçam o assunto seja um enólogo (profissional responsável por fazer o vinho), sommelier ( profissional do serviço de vinho e conhecedor), ou enófilos (apreciador da cultura).

Aromas primários – aromas que provém da matéria-prima. Ex.: variedade CABERNET SAUVIGNON com aromas de pimentão, nota comum.

Terroir – palavra francesa associada a terra, mas trata-se de uma soma de fatores como o tipo de solo  e clima, que  influenciam na qualidade da matéria prima e por fim a tecnologia empregada para se produzir um vinho.

Harmonização por similaridade – tem intenção de compatibilizar ingredientes ou tipo de alimento com um determinado tipo de vinho devido suas características similares. Ex.: um vinho branco de SAUVIGNON BLANC servido com peixe com molho de maracujá, seria recomendado devido a variedade sauvignon blanc ter notas aromáticas que remetem ao maracujá .

Harmonização por contraste – se trata de uma alquimia de sabores que se contrastam exemplo o doce e o salgado. Ex.: Vinho do Porto ou Sauternes com queijo gorgonzola.

Gourmands – grupo de pessoas que apreciam cozinhar e dividem experiências em agradáveis momentos e tornam a cultura gastronômica uma forma de descontrair e aprender a cozinhar.

 

Ciência: caminho para a evolução


O que trago a vocês, leitores do Blog do Especialista, é uma novidade que está instigando a comunidade científica e que, se estes resultados forem comprovados com mais trabalhos científicos, irá mudar o panorama das bebidas destinadas a reidratação.

Para explicar um pouco melhor, trago algumas informações importantes para entendermos porque a reidratação o durante o exercício ou atividade física é tão importante. À medida que realizamos qualquer tipo de atividade acima do repouso, aumentamos por consequência a nossa produção de calor. Este aumento é totalmente dependente da intensidade do exercício realizado, podendo variar de cinco a 20 vezes em comparação com os valores de base.

A partir deste quadro estabelecido, ou seja, inicio da atividade física e consequente aumento a temperatura corporal, nós precisamos dissipar grande parte do calor produzido e o meio mais eficiente é a evaporação, que no corpo é realizada pela sudorese. Portanto, a transpiração durante o exercício é um mecanismo que traduz o nosso ambiente interno e, por que não, um mecanismo protetor para continuarmos a realizar a atividade.

Há diversas bebidas que auxiliam na reposição deste líquido perdido, que vai desde água pura e o famoso soro caseiro até  bebidas esportivas comercializadas internacionalmente. Mas em 2008, um pesquisador introduziu na comunidade científica uma outra forma de olharmos para este fenômeno: por que não usar o LEITE como bebida reidratante?

Esta pesquisa, publicada na Journal of the International Society os Sports Nutrition traz resultados consistentes para o uso do leite, como bebida pós-exercício. E vamos entender o porquê destes resultado. Pelas propriedades do leite – rico em carboidratos, proteínas e sais minerais – é possível o aproveitamento mais eficientes destes nutrientes. Para praticantes que buscam ainda aumento da massa muscular, o uso do leite é ainda mais recomendado, pois auxilia no mecanismo de síntese protéica.

Logicamente, o leite recomendado para uso é o tipo desnatado, pois apresenta praticamente os mesmos componentes, porém, com uma quantidade de gordura menor. IMPORTANTE: é interessante usá-lo após o exercício e pode combinar com qualquer flavorizante, como por exemplo, achocolatado. Mas vale lembrar: para aqueles que têm intolerância a lactose, cuidado!

É, meus amigos, a ciência está aí para nos trazer estes achados. Sem dúvida, elaserve para nós mudarmos as nossas perguntas e evoluirmos.

Convido vocês a embarcarem nesta viagem comigo… sejam bem-vindos e boa viagem!

 

A tal “felicidade instantânea”

Tenho que confessar pra vocês um grande dilema meu: Gostar de comer x Gostar de comida “saudável”.

Sempre fui a tal criança chata que não come, que a mãe briga e diz “você não sai da mesa até limpar o prato”. O resultado? Nossa pinscher tendo almoços e jantares divinos para um cachorro e eu continuando a comer apenas o que considerava gostoso.

No auge dos meus 11 anos decidi o que queria ser quando crescer: Chef de cozinha. A parte mais difícil foi não entender como podia gostar tanto de cozinhar e não poder seguir essa profissão por não comer direito (sim, eu continuava xiita em relação a comer frutas, verduras e legumes). Os anos passaram e me formei designer (profissão que amo), comecei a trabalhar com a área de alimentação e, por isso, a pesquisar muito mais sobre o assunto e pensar nesse meu grande dilema.

E foi numa dessas reflexões que conheci a DoBem. Faz um tempo, nós recebemos 2 caixinhas de suco: uma de Uva e uma de Mate. Pensei eu: “Suco? Passo a vez!”

Mas o que realmente me chamou a atenção foi a embalagem (o que acontece com todo designer que gosta da área de embalagens): Nada além de uma ilustração super simpática e a promessa de ser 100% fruta.

sucos DoBem

Fiquei curiosa e tive que experimentar, uma vez que não tomava suco fazia, no mínimo, uns 15 anos. E o que senti? Aquilo que considero o tal “momento de felicidade instantânea”. Provei o de uva, que teve a grande capacidade de me recordar um suco que tomava quando ia ao clube com minha família, enquanto comíamos cachorro-quente. Era o único suco que eu gostava e que não trocava nem por uma coca-cola geladíssima no verão.

Resumindo: minha curiosidade só aumentou, pesquisei o site e descobri que já tinha visto um comercial deles (uma animação muito bem pensada que posto abaixo pra vocês verem) e fiz o que todo bom produto gera: o tal marketing boca-a-boca. E ainda não descobri alguém que discordasse! :)

Pois bem, resolvi que não digo mais que não gosto de algo sem ter experimentado (ou lembrado) de qual o seu sabor e consistência e, depois de toda essa experiência, descobri o que realmente quero com a gastronomia: diversão, boas refeições e o tal “momento de felicidade instantânea”.

Por que você aumenta de peso? – Parte 3

Hoje falaremos sobre mais dois fatores que podem influir no aumento de peso que você nem imaginava! Vamos lá?

dor intestinalConstipação intestinal
Sim, a constipação intestinal pode influenciar no aumento de peso, uma vez que após ocorrer à ingestão alimentar, há o processo de digestão, absorção e por fim a eliminação dos resíduos que não são mais aproveitados pelo organismo. Caso haja um comprometimento em alguma destas etapas, levando a retenção das fezes há um aumento de peso proporcional ao peso das mesmas, em média de100 a300 gramas, podendo variar dependendo da quantidade de material não absorvível (principalmente carboidratos).

Excesso de transpiração
A quantidade de suor perdida durante a atividade não significa que esteja perdendo calorias, mas sim água e sais minerais. Assim, estima-se que se depois da atividade física você se pesou e esteja com500 gramasde peso a menos, significa que você perdeu 500ml de água e minerais, então, o ideal é que os reponha o mais breve na forma de água ou até mesmo como repositores hidroeletrolíticos, em caso de maiores perdas.

 

Mais sabor, por favor!

buffetQuando recebi o convite para escrever neste blog, surgiu uma dúvida: sobre o que falar? Apesar de conviver bastante com o mundo da alimentação, meu negócio é comunicação.  Afinal, o que postar por aqui?

Eu cresci ouvindo o termo foodservice, acostumada a ver minha mãe entrar em restaurantes e contar quantas saladas, pratos quentes, sobremesas tinham no buffet e a comentar a operação. Sempre achei o mundo da “refeição de coletividade” muito interessante, porém distante da minha realidade de comer todos os dias em casa.

Desde que passei a trabalhar, comecei a prestar mais atenção neste mundo e entender um pouco mais o lado dos “famigerados” comensais. Pessoas que todos os dias, buscam no restaurante muito mais do que apenas comida, mas distração com os colegas e uma pausa na rotina estressante do dia.

Ao frequentar desde os quilos dos grandes centros comerciais até restaurantes de empresas, percebi que o que a maioria das pessoas quer é o básico bem feito. Comida com cara de comida de casa, bem apresentada e gostosa. Restaurante limpo e agradável.

Abaixo as preparações com nomes estranhos e aspecto tão estranho quanto. Sejam bem-vindas as clássicas combinações, aquelas que fazem sucesso nas mesas das avós há anos: arroz com feijão, macarrão e queijo ralado, frango assado com batata, bolo de chocolate. Comida que faz as pessoas sorrirem e não torcerem o nariz.

Claro que pensar fazer comida com a cara da casa de mais de 1,2,3, 10 mil pessoas não é uma tarefa fácil. Sei que existem diversas questões por trás de um cardápio, desde aspectos nutricionais, época do ano, custo e até mesmo a estrutura da cozinha. Mas para vocês, especialistas nesta indústria tão grande e comentada, eu deixo o meu apelo (parafraseando o famoso manifesto*): mais sabor, por favor!

Manifesto criado pelo artista Ygor Marotta, que escreve a frase “Mais amor por favor” nos muros da cidade de São Paulo. Para saber mais: http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI240730-17642,00-ARTISTA+PLASTICO+CRIADOR+DO+MOVIMENTO+MAIS+AMOR+POR+FAVOR+FALA+SOBRE+ESSE+S.html

 

[E para os próximos posts, prometo trazer para vocês um pouco sobre a área de Comunicação, falando sobre Relações Públicas e Eventos! ;) Até lá!

 

Manuella Gambaro

Liberté, Egalité, Fraternité

Com esse grito – Liberdade, Igualdade, Fraternidade – ativistas franceses derrubaram a Monarquia francesa no ano de 1789, em 14 de julho.

Revolução Francesa

O povo, influenciado pelas idéias do Iluminismo – movimento que pregava a liberdade de ideias e crença, além de melhores condições de vida para todos  – levantou-se contra a monarquia que escorchava a população pobre com a cobrança de impostos e isentava a nobreza e o clero, que viviam placidamente orbitando o Palácio de Versalhes, local de luxo e fausto.

Nada diferente das condições que muitos países vivem nos dias de hoje (essa história pode soar até um pouco prosaica para nós, brasileiros, que já vimos e ouvimos tantas histórias de Brasília, mas essa é uma outra conversa…).

O fato é que a revolução dos populares só ganhou força mesmo quando as péssimas colheitas do ano anterior resultaram na escassez de alimentos. O fator gerador das revoluções populares que culminaram na invasão da Bastilha, símbolo maior do poder absolutista na época e prisão política, foi a fome.

Cabeças rolaram, contudo, por incrível que pareça, essa lição parece que não foi aprendida, pois até os dias de hoje, muitos governos sobrevivem a custa de populações famintas. E nós estamos em 2011!

Porém os sans culotte, como eram conhecidos os franceses pobres na época, não se renderam e foram em busca de seus ideais. Após a tomada da Bastilha, a Assembléia Constituinte aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, inspirada na declaração norte-americana, que defende a liberdade de expressão, afirmando que todos podem falar, escrever e registrar livremente seus pensamentos, devendo, porém, responder pelos abusos desta liberdade.

Outra coisa que nos remete aos dias de hoje, quando muitos governos ainda insistem em tentar calar a imprensa e aqueles que se mostram contrários às suas ações. Santo Iluminismo! Tão distante e tão real….

Além, é claro, da vitória da liberdade de expressão e pensamento; outra grande conquista do povo francês na época foi a socialização da gastronomia.

É isso mesmo! Com a nobreza em baixa, os chefs abandonaram as cozinhas dos castelos e palacetes. Para ganhar a vida, rumaram para Paris, onde buscaram se estabelecer e viver de sua profissão, ou seja, preparando seus pratos, que eram vendidos. Assim, nasciam os restaurantes e a gastronomia se manteve mesmo fora dos muros dos palacetes.

Mais uma lição: o que é bom, permanece!